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Conceituando o Fenômeno Anímico e o Fenômeno Personímico

ANIMISMO – Etimologicamente, a palavra “ânima” vem do latim “animus”, significando sopro, emanação, ar. Daí “Alma” como princípio vital, vida, espírito, self (de si mesmo). Desdobramento das personalidades vividas anteriormente.

PERSONISMO – Do latim (persona+ismo) – Fenômeno tido por comunicação mediúnica, mas que é apenas psicológico, é o desdobramento da personalidade, consciência ou eu pessoal.

Aksakof, que deu talvez a melhor definição sobre o tema, afirmou que “anímico ou animismo é tudo aquilo que é relativo ao ânima. Engloba todos os fenômenos psíquicos, intelectuais e físicos que deixam supor uma atividade extracorpórea ou à distância do organismo humano e, mais especialmente, todos os fenômenos que podem ser explicados por uma ação que o homem vivo exerce além dos limites do corpo, produzidos pelo ser humano, conhecidos e desconhecidos, bem como muitos efeitos físicos ainda não explicados adequadamente.”

Como doutrina, o animismo considera a alma como princípio ou causa de todos os fenômenos vitais como a reativação das personalidades de passado, desdobramentos simples e múltiplos do “eu pessoal”, aparições “materializadas”, projeções da consciência (experiências fora do corpo), manipulação de objetos à distância, manifestação dos sentidos, etc.

Em “Domínios da Mediunidade”, está registrado por André Luiz o relato de uma aula ministrada pelo mentor Áulus, no plano astral, a qual tratava da manifestação anímica, quando, observando uma incorporação do que entendemos por Personalidade Múltipla, explicou o seguinte sobre o fenômeno: “… essa mulher existe ainda nela mesma. A personalidade antiga não foi eclipsada pela matéria densa como seria de desejar”. A antiga personalidade estava ali, ressuscitada do passado, manifestando-se em incorporação anímica, criando dificuldade à personalidade atual. Ela, a encarnada, devia ser considerada uma enferma espiritual, uma consciência torturada que precisava ser amparada e tratada, para entrar no campo da renovação íntima, única base sólida para a sua recuperação definitiva.

Áulus ainda acrescentou que o fenômeno é muito mais comum do que se possa imaginar. Disse ele: “quantos mendigos que se vêem não com os trajes andrajosos do presente, mas com os mantos de púrpura dos castelos de outrora! Quantos servos que mantêm o orgulho dos poderosos senhores que já foram!” E nesses casos, vemos as dificuldades que algumas pessoas têm para se conduzir em situações subalternas, tendo que obedecer às ordens de seus patrões. Ordens que não aceitam, que discutem ou aceitam com dificuldade. É como se vivessem no presente, mas vendo o mundo e as pessoas através de um filtro correspondente às vidas que tiveram no passado.

Este fenômeno é provocado pela emersão das memórias dessas existências a que foram apegados, provocando uma visão deformada e uma interpretação totalmente distorcida da realidade presente.

Em muitos casos, isso ocorre também através de uma modalidade de obsessão espirítica ou anímica (auto-obsessão), em que entidades desencarnadas ou personalidades do passado, desdobradas, contrárias à proposta encarnada ou à polaridade “vestida” pela pessoa, a mantém vítima sob efeito de hipnose, em regressão de memória, em algum lugar do passado. E, no caso, precisamos ter noção clara do que é uma obsessão, uma auto-obsessão, ou uma emersão de memórias referentes a vivências traumáticas do passado, com seu cortejo de emoções desordenadas e cargas de emoção e sofrimento reprimidas.

Entendemos ser primordial o estudo profundo dessas questões anímicas e espirituais. Somente através desses estudos é que poderemos resolver definitivamente a problemática grave dos desentendimentos entre os membros do mesmo grupo, as relações tumultuadas entre grupos e as dificuldades existenciais das famílias e comunidades como um todo. Esta dificuldade retira a alegria de viver, atrasa o progresso espiritual e atrapalha o progresso material e intelectual das pessoas.

É interessante se observar que, depois de dois mil anos de cristianismo e de estudos do Evangelho, ainda não se trabalha em profundidade as magnas sentenças de Jesus, quando recomenda o “perdoa setenta vezes sete vezes”, sinalizando as drásticas conseqüências da mágoa, ódio, frustração e ressentimentos guardados na memória consciente, subconsciente e inconsciente. E quando essas mágoas são levadas para o mundo espiritual, sem resolução, reaparecem na nova existência em forma de patologias desafiadoras, lesivas e vigorosas, provocando tumores, cânceres, tendinites, lúpus e outras doenças de etiologia obscura, e de difícil diagnóstico pelos métodos convencionais da ciência materialista.

Como instrumento de autodescobrimento e autoconhecimento para a resolução dessas dificuldades mencionadas, Jesus deixou outra recomendação que é uma verdadeira chave para se acessar, identificar e liberar essas cargas negativas de que somos portadores. “Conhecereis a Verdade e a Verdade vos libertará”, dando-nos a chave para o desvendar do segredo para acessar a Verdade que liberta. A nossa verdade interna.
Falou também para que impuséssemos as mãos e curássemos, revelando que uma atitude fraterna seria automaticamente acompanhada por reações que ainda desconhecemos, como por exemplo, a projeção de energias curadoras, e poderíamos resolver problemas de saúde do corpo físico, energético e até o espiritual.
O candidato ao serviço fraterno deve estudar as propriedades da força mental e aprender a bem aplicá-la e a bem dirigi-la, e sem dúvida conseguirá o efeito “milagroso” que o amor compaixão e os gestos de carinho fraterno, o amparo e compaixão são capaz de produzir.
Quando impomos as mãos e vibramos amorosamente energias e fluxos luminosos visando curar, quando induzimos as pessoas atendidas a pensar na causa geradora da dificuldade em trabalho, quase sempre descobrem e liberam velhas cargas de energias negativas, há muito acumuladas em seu psiquismo. Invariavelmente, acabam por lembrar velhas mágoas, desta ou de outras vidas, arquivadas no subconsciente ou inconsciente, que ignoravam a sua existência, ou que pensavam estar esquecidas ou perdoadas. Mas o perdão verdadeiro e total só acontece quando há a compreensão do fato, a liberação dos conteúdos recalcados, e a mudança de padrão vibratório, com a reforma íntima. Atitudes agressivas ou dissimulados, vícios químicos e comportamentais, cultivado por muitas pessoas, é extremamente prejudicial à harmonia doméstica. Em “Obreiros da Vida Eterna”, o assistente Barcelos, benfeitor espiritual ligado à Psiquiatria sob novo prisma, traz importantes ponderações sobre a influência de encarnados entre si, referindo-se à necessidade de esclarecimento dos homens perante a própria consciência. “No círculo das recordações imprecisas, a se traduzirem por simpatia e antipatia, vemos a paisagem das obsessões transferida ao campo carnal, onde, em obediência às lembranças vagas e inatas, os homens e as mulheres, jungidos uns aos outros pelos laços de consangüinidade ou dos compromissos morais, se transformam em perseguidores e verdugos inconscientes entre si. Os antagonismos domésticos, os temperamentos aparentemente irreconciliáveis entre pais e filhos, esposos e esposas, parentes e irmãos, resultam dos choques sucessivos da subconsciência, conduzida a recapitulação retificadoras do pretérito distante. Congregados de novo, na luta expiatória ou reparadora, as personagens dos dramas que se foram, passam a sentir e ver na tela mental, dentro de si mesmas, situações complicadas e escabrosas de outra época, malgrado os contornos obscuros da reminiscência, carregando consigo fardos pesados de incompreensão, atualmente definidos por “complexos de inferioridade.” E, acrescentamos, distúrbios e doenças de toda ordem. Por isso é importante o cuidado também com os pensamentos. Vejam o que diz Emmanuel, no prefácio do livro “Mediunidade e Sintonia”: “Não podemos nos esquecer de que a idéia é um “ser” organizado por nosso espírito, a que o pensamento dá forma e ao qual a vontade imprime movimento e direção”. “Como nossas ações são fruto de nossas idéias, geramos a felicidade ou a desventura para nós mesmos. O encarnado pode, assim, ser perseguido por si mesmo, devido às suas próprias criações mentais”.

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