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Desdobramento Múltiplo (Terapêutica das Personalidades Múltiplas)

Conceito

Por Terapêutica das Personalidades Múltiplas (Desdobramento Múltiplo) entende-se o recurso de incorporar e tratar, simultaneamente, as várias personalidades psíquicas (eus) dissociadas da consciência de uma ou mais pessoas, no caso da ocorrência dos distúrbios do psiquismo designados de DDI (Distúrbios Dissociativos de Identidade) conforme o conceito da Associação Americana de Psiquiatria. Ou, segundo os psicólogos e terapeutas do psiquismo, o “Transtorno ou Distúrbio das Personalidades Múltiplas”.

A técnica foi desenvolvida pela equipe mediúnica do Grupo Espírita Ramatis de Lages, SC, está baseada em três leis, e tem fundamentação científica e espiritual. Portanto, o “Desdobramento Múltiplo” é um conjunto de procedimentos terapêuticos destinado ao tratamento da auto-obsessão, da obsessão compartilhada entre encarnados, dos distúrbios comportamentais e psíquicos em geral, praticado de forma gratuita por pelo menos três duplas de pessoas imbuídas de intenções e espírito humanitário. Seu pressuposto terapêutico inclui também o tratamento dos corpos sutis.

Nota: Em essência, praticamente não há grandes diferenças no conjunto de procedimentos terapêuticos empregados no tratamento de uma pessoa encarnada, de uma personalidade psíquica ou de um espírito (desencarnado). Todos necessitam e merecem tratamento cuidadoso, eficiente e fraterno.

A Técnica Apométrica e o Desdobramento Múltiplo com Incorporação Múltipla e Simultânea de Personalidades formam um sistema terapêutico eficiente que pode ser empregado no tratamento de qualquer tipo de distúrbios, sejam de natureza física, mental, emocional, espiritual ou comportamental, sem substituir ou excluir outros tipos de tratamentos. São tratamentos realizados por grupos mediúnicos conhecedores do assunto e movidos pelo amor fraterno. Por serem tratamentos gratuitos, a procura é muito maior do que a capacidade de atendimento dos poucos grupos existentes. Por isso, existe um grande número de candidatos nas filas de espera.

Decifrando o Psiquismo

A experiência de trabalho medianímico vivenciada nos últimos 24 anos, em vários grupos apométricos, demonstra de forma cabal a existência e a ação dos elementos psíquicos, conhecidos de várias culturas, os quais são denominados de “Personalidades Múltiplas” e “Subpersonalidades”. As conclusões, conceitos e informações que reafirmamos vêm de tempos remotos, não é nossa exclusividade, e foram observados ao longo de anos por cientistas de renome e por espíritos conceituados. Dentro do campo da psicologia eles foram referenciados por Pierre Janet, William James, Jung e outros. No campo da psiquiatria estudaram o assunto o italiano Roberto Assagioli (Psicossíntese) e, inúmeros outros estudiosos, conforme registros da Associação Americana de Psiquiatria. No campo espiritual, temos os estudos de André Luiz, Joanna de Ângelis, Manoel Philomeno de Miranda, Miramez, Charles Lancelin e outros.

O algo “novo” que Dr. Lacerda nos trouxe foi a forma diferente de tratar terapeuticamente esses elementos. Não são novidade o estudo dos corpos sutís e nem as personalidades psíquicas. Sempre foram e continuam sendo denominadas de “personalidades múltiplas”, de “subpersonalidades”, de “eus”, de “elementos antagônicos”, de “inconsciente coletivo pessoal”, de “personalidades parasitas”, de “elementos da consciência”, de “personas”, de “papéis”, de “pensamentos”, de “máscaras”, de “fachadas”, de “cisões”, de “energias” e de “níveis”, em nada altera sua essência e nem anula a realidade dos fatos.

Evidentemente, não pretendemos ter posse da verdade, dar respostas definitivas e nem combater “verdades” estabelecidas, já que a cada dia a ciência prova de forma incontestável a relatividade e a multidimensionalidade das coisas. O resultado da observação e experimentação que fazemos sugere maior estudo e conhecimento sobre a essência, funções, morfologias e propriedades desses elementos.

Nossa proposta é trabalhar, com determinação, fé e amor, para tentar aliviar a dor das pessoas tocadas pelo sofrimento, as quais nos procuram em busca de auxílio. Não pretendemos a unanimidade de conceitos nem de opiniões, uma vez que na unanimidade a evolução pode ser mais lenta. Ao codificar a Doutrina dos Espíritos Kardec observava com muita propriedade que não fôssemos muito apressados em rejeitar a priori tudo o que não pudéssemos compreender, porque longe estamos ainda de conhecer todas as leis e, sem dúvida, nem a natureza nos revelou ainda todos os segredos. O mundo invisível é um campo de observação ainda novo, cujas profundezas seria presunção nossa considerar explorado, quando incessantemente se estão patenteando a nossos olhos novas maravilhas. (A. Kardec, OP, Capítulo 2, Parágrafo VII (Dos Homens Duplos…, item 9).

Existem tantos estudos sérios sobre o assunto, dentro e fora da doutrina espírita, que não é dado a nenhum espiritualista ignorar ou negar isto sem se colocar em condição delicada. O fenômeno realmente existe, se não existisse, não haveria os resultados benéficos depois do tratamento. É comum, ao abordarmos psiquicamente a consciência de um indivíduo, encontrarmos duas ou mais personalidades psíquicas dissociadas, que se revezam ou alternam durante o transcorrer de um dia, percebidas e interpretadas como estados de humor.
Essas personalidades, por vezes, assumem ou tentam assumir provisoriamente a consciência da pessoa, promovendo comportamentos diversos. A sua permanência é mais demorada no distúrbio chamado “dupla personalidade”, onde a pessoa se modifica a tal ponto que parece se transformar em outra, e pelas evidências, isso acontece com espíritos também.

No livro, “Nos Domínios da Mediunidade”, de André Luiz, psicografia de Francisco Cândido Xavier, o instrutor Áulus explicou isso de forma bastante esclarecedora. Perguntado se o fenômeno era comum, Áulus respondeu que é intensamente generalizado e acrescentou: “É a influenciação de almas encarnadas entre si que, à vezes, alcança o clima de perigosa obsessão. Milhões de lares podem ser comparados a trincheiras de luta, em que pensamentos guerreiam pensamentos, assumindo as mais diversas formas de angústias e repulsão”.

Indagado também se o assunto poderia se enquadrado nos domínios da mediunidade, respondeu:
“perfeitamente, cabendo-nos acrescentar ainda que o fenômeno pertence à sintonia. Muitos processos de alienação mental guardam nele as origens. Muitas vezes, dentro do mesmo lar, da mesma família ou da mesma instituição, adversários ferrenhos do passado se reencontram. Chamados pela Esfera Superior ao reajuste, raramente conseguem superar a aversão de que se vêem possuídos, uns à frente dos outros, e alimentam com paixão, no imo de si mesmos, os raios tóxicos da antipatia que, concentrados, se transformam em venenos magnéticos, suscetíveis de provocar a enfermidade e a morte. Para isso, não será necessário que a perseguição recíproca se expresse em contendas visíveis. Bastam as vibrações silenciosas de crueldade e despeito, ódio e ciúme, violência e desespero, as quais, alimentadas, de parte a parte, constituem corrosivos destruidores.”

E isso não acontece só nos lares, ocorre, também, nos grupos espiritualistas e espíritas, bem como entre todos os demais agrupamentos humanos, e principalmente naqueles que levantam alguma bandeira de luz, por nos faltar a Verdadeira Luz da Fraternidade.

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